A oliveira

.

Colocar no meu Blog!

A oliveira... Pela engª Ana Monteiro...

~Tipologia/Etimologia...
"A oliveira é uma árvore da família oleáceas cujo nome científico é Olea europaea L., da qual resultou quatrocentas espécies.Quanto à sua etimologia tendo como referencia as línguas da área geográfica do Mar Mediterrânio a palavra "oliveira" tem origem na palavra grega Elaia (ελaía) e na palavra hebraica Zait, que derivaram para Olea e Zaitum, no latim e árabe respetivamente.

A palavra Olea também está associada ao "monte Olimpo" que é a montanha mais alta da Grécia, com 2 917 metros de altitude máxima e 2 355 m de proeminência topográfica. Na mitologia grega o "monte Olimpo" era a morada dos "Doze Deuses do Olimpo" (Zeus, Hera, Posidão, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dioniso), os principais deuses do Panteão Grego.
O Concelho Oleícola Internacional também refere que a domesticação da oliveira iniciou-se no Paleolítico ou Neolítico (10.000 a.C. a 3.000 a.C.) possivelmente na Mesopotâmia passando para o Egito (2.000 a.C.) espalhando-se pelas ilhas da Ásia Menor, Palestina e Grécia (1.800 a.C.).
A origem do seu cultivo é milenar, no entanto, não há uma data exata da tradição do seu cultivo.
No século VI a.C. a oliveira já era cultivada em toda a região do Mediterrâneo. Quando chegou à região da Itália meridional, a oliveira com o Império Romano, fez com que a mesma fosse "levada" para os países da Bacia Mediterrânea.No Delta do Nilo, no Egito, existe há um lugar designado pela palavra Zait/Said.Segundo o COI, a oliveira silvestre se espalhou de uma forma natural por meio das aves migratórias que levavam no bico as azeitonas, as quais, proliferaram nos solos e em condições climatéricas favoráveis, nascendo assim estas árvores.

Em Portugal existe vestígios que esta árvore já existia na Idade do Bronze mas, foram com as invasões Romanas, Visigóticas e Árabes que contribuíram para o seu desenvolvimento e cultivo. A "Oliveira Cultivada" ramificou-se em vários grupos cultivares que se espalharam e adaptam-se melhor em diferentes zonas oleícolas.

No entanto, também há a oliveira brava, que cresce livremente pelos campos de Portugal designada por "Zambujeiro" ou "Azambujeiro".Em Portugal as cultivares de maior relevância são a Galega, a Carrasquenha, a Cordovil, a Cobrançosa e a Verdeal.
Mas, existe muitas outras cultivares de oliveiras que se propagam no nosso país, entre elas, destaco as seguintes: Galega Vulgar ou Galega, Carrasquenha, Redondil, Azeitoneira ou Azeiteira, Branquita ou Blanqueta, Conserva de Elvas, Negrinha, Madural, Cobrançosa, Verdeal Transmontana, Redondal, Galega Grada de Serpa, Cordovil de Serpa, Verdeal Alentejana ou Verdeal de Serpa, Cordevil de Castelo Branco, Bical de Castelo Branco, Maçanilha Algarvia, Maçanilha Carrasquenha de Almendralejo, Picual, Maçanilha ou Maçanilha Fina, Hojiblanca e Gordal.Os elementos que caracterizam a oliveira nos seus mais diversos aspetos são:
Designação» Olea europaea - Zambujeiro (variante silvestre)
Família» Oleaceae
Distribuição geográfica» Região mediterrânica até ao Médio Oriente.
Em Portugal» sul, centro e vale do Douro.
Caducidade» Persistente
Altura média» Até 15 m
Longevidade» Pode viver mais de 2000 anos
Porte» Árvore ou arbusto de copa larga e arredondada
Ritidoma» Com tronco grosso, geralmente bastante tortuoso é uma madeira de crescimento lento com anéis cinzento-esverdeados. A árvore (dependendo da variedade) chega aos 20 metros de altura. A oliveira necessita de muito tempo para crescer mas no entanto, pode viver centenas de anos. 
Como exemplares antigos... na Europa e possivelmente no mundo encontram-se em Portugal: uma oliveira no Algarve, perto da cidade de Tavira, tem mais de 2000 anos e pensa-se que foram os fenícios que trouxeram da Mesopotâmia. No Alqueva, remontam a 300 anos a.C. Perto da localidade montenegrina de Bar-se existe uma oliveira com cerca de 2000 anos. Na Itália em Trevi, há uma oliveira com cerca de 1700 anos, assim como outro exemplar em Israel - Getsemani.

Folhas» Folhas persistentes, o que significa que nunca perde totalmente a sua folha. As folhas medem 1-8 x 0,3- 2cm e as mais velhas vão caindo ao longo do ano. As folhas pequenas, simples e luzidias, verde acinzentadas na frente e de um cinzento prateado e brilhante por trás. Definem-se estreitas, pontiagudas e simples. Na parte de trás, têm pequenos pelos, que protegem a árvore da desidratação recapturando a água e conduzindo-a de novo para a folha.
A folha, depois de seca, pode ser utilizada para fins terapêuticos. Em chá é rica em nutrientes como: potássio, magnésio, manganês, fósforo, selênio, cobre e zinco. Apresentam uma alta concentração de ácidos graxos, fibra alimentar, proteínas, minerais, agentes bioflavonóides e antioxidantes.

Estrutura reprodutiva» "Flores reunidas em rácimos densos nas axilas das folhas, cálice pequeno em forma de taça, corola branca, caduca, de uma só peça, aberta em estrela com 4 lóbulos; fruto, uma drupa de 1-3,5 x 0,6-2cm, elipsóide (azeitona)."

Floração» Em Portugal fim de abril, maio e junho
Maturação dos frutos» Em Portugal setembro e outubro

Habitat e ecologia» "Variante sylvestrisOcorre no estrato arbóreo das florestas esclerófilas mediterrânicas especialmente em sobreirais e azinhais e torna-se dominante em solos vérticos constituindo florestas (zambujais). É também muito frequente nos matos altos, substituinte das florestas esclerófilas mediterrânicas."
Habitat e ecologia» "Variante europaea -É cultivada em praticamente todos os países da bacia mediterrânica e tem a particularidade de suportar melhor as geadas e as baixas temperaturas e portanto ocorrer em altitudes maiores do que a variedade silvestre. Necessita entre 200 e 700mm de precipitação, mas resiste à seca assim que estiver estabelecida. Tolera ventos salgados."
Modos de propagação» "Semear o caroço da azeitona, logo que esta estiver madura, no outono. Pode ser reproduzida no interior, sendo melhor, neste caso, fazer algum tempo de estratificação a frio. Quando as plantas tiverem o tamanho suficiente para manusear pode mudá-las para o seu local definitivo, ou se preferir, colocá-las em vasos e deixá-las assim durante o inverno, mudando-as na primavera. Pôr estaca na primavera, cortar ramos semi-maduros, com 5-10 cm, que tragam na base parte do ramo mais velho. (esta ligação é que produzirá raízes)."
Fruto» "A partir da flor forma-se depois da polinização o fruto: a azeitona. é um fruto com caroço revestido de polpa mole. A cor da azeitona antes de estar madura é verde e depois de estar madura torna-se preta ou violeta-acastanhada. A árvore atinge o ponto de produção ótimo com cerca de vinte anos. A composição média de uma azeitona é água (50%), azeite (22%), açúcar (19%), celulose (5,8%) e proteínas (1,6%).

O Agricultor tem que ter em atenção a saúde da oliveira porque só ele pode evitar as pragas como a mosca da azeitona, a traça da azeitona e a cochonilha negra. Se evitar estas doenças, ele pode ajudar com que a oliveira dê grandes e bonitos exemplares de azeitona.
De dois em dois anos, o agricultor deve efetuar uma poda, de modo a que os raios de luz entrem em toda a copa, para manter e tornar a árvore forte, resistente e produtiva.
A hora ideal para a sua colheita vai influenciar o azeite que lhe é extraído ou o tipo de conserva a que se destina. Para além deste fator, vai condicionar também o tipo de azeitona e a zona térrea onde se desenvolveu a oliveira.
Sendo assim, a oliveira tem um crescimento muito lento, no primeiro ano de vida e normalmente só dá flor ao fim de cinco anos de plantação, fase em que inicia a sua produção. Por volta dos vinte anos, esta árvore atinge o auge da produção de azeitona e entre os trinta e cinco anos e os cento e cinquenta anos de idade, ela alcança a idade de maturidade ou de plena produção. Após estas décadas, chega à fase de envelhecimento, como todos os seres vivos à face da terra, onde o seu rendimento se torna irregular.
Vários fatores interferem no crescimento e desenvolvimento da oliveira. As condições climatéricas como por exemplo, as temperaturas inferiores a 12º C podem destruir por completo uma plantação. Com grandes secas e ventos fortes, a oliveira tem um comportamento plenamente firme.
Resumindo, ela desenvolve-se muito bem em regiões mediterrânicas onde os Invernos são amenos, as Primaveras e Outonos são chuvosos e os Verões são quentes e secos.
Este tipo de árvore tem uma ótima capacidade de se autorregenerar, ou seja, ela dá novos rebentos que facilmente dão origem a uma nova oliveira.Após os meses quentes as azeitonas iniciam o processo de maturação visível através da sua coloração, ou seja, do verde ao violáceo até ao roxo escuro ao negro.Para se obter o "sumo dos Deuses" ideal, deve ter em atenção se são azeitonas inteiras, sãs, verdes e maduras. O azeite é extraído de azeitonas que passam por processos mecânicos e físicos sob condições térmicas que não provoquem a sua alteração.

Deixo uma curiosidade para reflexão... Sabia que: em média uma oliveira dá vinte kg de azeitona e para produzir um litro de azeite é necessário cerca de cinco a seis Kg de azeitona. "
".§ [Eng.ª C.T.A.G. e D.er] Ana Monteiro, junho de 2015 Céd. Prof. N.º 442