História do azeite em Portugal

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História do azeite em Portugal... Pela engª Ana Monteiro...


"Há registos que durante o séc. XIII, em Portugal, o azeite já era um produto que movimentava a economia positivamente. Inicialmente, o cultivo estendia-se até à zona da cidade de Aveiro e só no século XVI é que se estendeu à zona norte de Portugal.

Nos forais, das antigas províncias da Estremadura e do Alentejo, durante o final da Idade Média, constava que, a maior produção de azeite em Portugal era atribuída às regiões de Coimbra e Évora.

Gradualmente, foi crescendo regulamentos, visto que, era um produto e uma produção em expansão.

O porto de Lisboa, era um ponto de grande comércio e ponto de partida rumo às Áfricas e Índias, onde o azeite e o vinho, eram os primeiros produtos de tráfico.

Em 1572 foi promulgado o "Regimento dos Lagareiros e Lagares de Azeite". Estes regimentos estendiam-se aos Lagareiros, Moedores, Acarretadores e Lagareiros. Esta nova implementação gerava uma maior segurança por parte de todos onde surgiram leis destinadas ao equipamento e medidas para a azeitona/azeite, fundamentais para sua normalização comercial.

Os Lagareiros eram Homens com uma competência acentuada, os quais, juravam sobre os Santos Evangelhos e atribuíam "as cartas de mestre de lagar aos candidatos que depois de criteriosamente examinados, mostrassem ter conhecimentos do ofício que lhes permitissem dirigir, com honestidade e competência, a safra do lagar".

O Mestre, nesta época da safra não podia abandonar o lagar era extremamente proibido e não podia "deixar entrar no engenho nenhum familiar até ao quarto grau" porque ele tinha que se concentrar, para assim obter, o melhor azeite da campanha.

Para além dos Lagareiros, os Esparteiros, Homens que faziam as seiras; os Dreiros, os Oleiros e Oficiais de Latoaria, que faziam vários tipos de vasilhames, também tinham uma grande responsabilidade da entrega dos produtos a tempo e com qualidade.

Muitos destes Homens, eram crentes na sua fé. Quando a época da safra terminara, eles iam pagar as promessas pela boa produção obtida. Geralmente os santos protectores invocados para esta produção eram a N.ª Sr.ª das Candeias, a N.ª Sr.ª dos Olivais, a St.ª Luzia, o São Lucas, o São Romão e o São Simão.

Ainda hoje, muitos crentes adeptos à sua religião Cristã, continuam a invocar estes Santos em busca da serenidade da sua produção, comercialização e venda.

Com toda esta historia do passado Português, neste sector alimentar, é de salientar que o Azeite Português tornou-se num azeite notável e de grande impacto face aos mercados exteriores. Isto acontece porque temos uma grande história, de produção, onde os saberes vão passando de geração em geração.
Centenas de portugueses, trabalharam e trabalham neste sector de norte a sul do país alcançando toneladas de azeite por ano, glorificando cada vez mais, o nome de Azeite de Oliveira Português .

A SIAZ - Sistema de Informação sobre o Azeite e a Azeitona de Mesa Portugal, gerido pelo Ministério da Agricultura de Portugal, informa-nos actualmente as produções nacionais. Regista que na campanha de 2013-2014 Portugal teve uma produção de "90 mil toneladas de azeite, a mais elevada dos últimos 50 anos". 

Presentemente teve uma produção nacional de azeite que atingiu as 61,2 mil toneladas na campanha 2014/2015. Esta quebra de 32% em relação ao ano passado deveu-se "resultou de um ano de contra-safra e de condições meteorológicas e fitossanitárias desfavoráveis para a produção de azeitona, principalmente nos olivais tradicionais de sequeiro, que representarão cerca de 80% da área total nacional de olival para azeite". 
https://www.gpp.pt/estatistica/SIAZ/
https://diarioagrario.blogspot.pt/2015/04/producao-de-azeite-teve-uma-quebra-de-32.html

Olhares da história...

"Falar da história do azeite português é retroceder no tempo é ir ao encontro histórico de quem habitava nas terras onde hoje é o país designado Portugal.

Portugal, é um país composto actualmente por uma área total de 92 090 km². Delimitado a norte e leste por Espanha e a sul e a oeste pelo Oceano Atlântico, compreendendo uma parte continental e duas regiões autónomas que se designam pelos arquipélagos dos Açores e Madeira. Em termos de população, segundo os censo de 2011, havia uma população de 10 562 17 habitantes.O azeite em Portugal é um produto extremamente emblemático para o nosso país e quem lida com este produto tem que obrigatoriamente ter conhecimento como era o passado deste produto milenar!
Com a leitura de livros portugueses e de outros países deparamos com a verdadeira história deste produto alimentar da mãe natureza. Os livros, proporcionam ao leitor, um encontro com culturas e com uma era distinta da atual e, que nos chegam até aos dias de hoje, por meio de livros seculares escritos por pensadores, filosóficos, historiadores, aristocratas, entre outros, que se debruçavam e aprofundavam ao exímio sobre os temas debruçados. Nestes escritos ou manuscritos, interpretamos a evolução que da cultura milenar da árvore - a oliveira, do seu fruto - o azeitona, da sua extração - o azeite, da sua utilização e, por fim, da sua venda e exportação.Perante a linha cronológica do tempo vamos deparar com a expressão da cultura, em paralelo, com a conquista do nosso território onde os documentos escritos nos mostram também a evolução da escrita do português, que é uma língua românica flexiva, com origem no galego-português falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. 
Com a criação do Reino de Portugal (1139) a sua expansão para sul originou a difusão pelas terras conquistadas. Por este motivo, irei basear-me em vários livros onde se pode avaliar a evolução desta língua.

"Por toda a parte, com o tronco contorcido e às vezes roído da cárie, com a folha miúda e prateada à luz do entardecer, na sombra protectora dos seus ramos simbólicos, a oliveira exprime, como nos tempos bíblicos, a rústica paz das almas e a fecundidade sagrada da terra." (Orlando Ribeiro) 

Período da Pré-História ...

No atual território de Portugal existe um país onde a história do seu passado é notório.
 Iniciou-se com a Pré-História da Península Ibérica à cerca de 1,2 milhões de anos com o povoamento dos primeiros homídeos. 
Na Pré-História, temos vários períodos:


-Paleolítico - 7000 a.C.

-Mesólitico
-Néolítico - 7.000 a.C. - 3.000 a.C.

- Calcolítico ou Idade do Cobre - 3000 a.C. -1.900 a.C.

-Idade do Bronze - 1.800 a.C. - 700 a.C.
-Idade do Ferro - 700 a.C. - 2180 a. C.

-Expansão dos povos Indo-Europeus (celtas) desde os finais do século VIII a.C. 

-Influência fenícia (Fenícios, Gregos, Cartagineses) todos colonizaram a Península Ibérica

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É de reforçar que a Pré-História durou até às Guerras Púnicas.
 Neste período, houve três conflitos que opuseram a República Romana e a República de Cartago (cidade do Estado Fenício) que decorreu entre 264 a.C e 146 a.C..
Cartago, foi totalmente destruída e Roma passou a dominar o Mar Mediterrâneo (mar Atlântico e está compreendido entre a Europa Meridional, a Ásia Ocidental e a África setentrional. Tem aproximadamente uma área de 2,5 milhões de Km2)

"E com um ramo de oliveira o homem se purifica totalmente" Virgílio, Eneida; a.C.

Como referência primordial histórica da árvore - oliveira - Públio Virgílio Maro (70 a.C. -19 a.C.) fora considerado um dos maiores poetas de Roma sendo um dos expoentes máximos da literatura latina daquela época e deixou vários testemunhos desta árvore milenar.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Virg%C3%ADlio

Bucólicas-Geórgicas y Eneida de Virgilio; Facsímil del códice editado por Vicent García Editores, foto da web

Nos seus registos sobre o azeite e a oliveira do seu tempo é interessante ler no livro da Eneida:

"...835 Ou n'Ausônia assentar nos tolhe o medo?
Quem distante apresenta insígnias sacras
E ramos de oliveira? as cãs e a barba
Do rei conheço que primeiro em Roma
Legislará, da exígua e pobre Cures..."

(Virgílio, Eneida; a.C. Livro VI)

"...420 Se transfigura: a testa e face obscena
De rugas ara, às cãs veste uma touca,
Prega-lhe em cima um ramo de oliveira,
E ao jovem se apresenta: "Sofres, Turno,
Tantas lidas frustradas, que a fugidos..."

(Virgílio, Eneida; a.C. Livro VII)

"...320 Pontal, número, forma; nós prestemos
Dinheiro, arsenais, braços. E oradores
Cem dentre os nobres deputar me agrada;
Que, nas mãos a oliveira, em brinde ofertem
Marfim, talentos de ouro, e a trábea e a sela
325 Curul, do reino insígnias. Em consulta,
Provede ao bem do combalido estado...."

(Virgílio, Eneida; a.C. Livro XI)

Nos quatro livros das Geórgicas escrito em poesia o tema é a agricultura sendo dedicado ao Mecenas.
Neste livro, a oliveira é também o elemento da natureza presente na sua poesia, como exemplo temos a tradução:

https://pt.calameo.com/read/000039711a634df05817b
https://www.wdl.org/pt/item/10649/
https://www.letras.ufrj.br/pgclassicas/files/upload/2010-ThaisePereiraBastosAlmeidaSilva.pdf
https://archive.org/stream/traduolivreouim00virggoog#page/n60/mode/2up


Na obra de Langhans também nos transmite que as oliveiras nesta época: 

"...exigem grandes esforços e canseiras. Todas são transplantadas, colocadas em linha e a sua manutenção acarreta grandes despesas..."

https://it.wikipedia.org/wiki/Appiano_di_Alessandria
(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 10)

Este autor, também nos informa que o aparecimento da oliveira na Península Ibérica é anterior à ocupação romana. Antes da conquista da zona da Hispânia pelos romanos, durante as Guerras Púnicas, a oliveira já coabitava nos campos da Península Ibérica.Referência desta situação, é-nos transmitida pelo historiador, filósofo, advogado e produtor público na Província de Alexandria e no Egipto, de seu nome, Appiano di Alessandria.
Appiano do Alessandria, descreve que na ocupação da Hispânia, durante essas evasões romanas em 133 a.C. ao invadirem a cidade antiga da Península Ibérica, Numância ( fica a 7 quilómetros de Sória, na povoação de Garray localizada nas margens do rio Douro) a oliveira já era conhecida. 

Período Pré-Romano...

No período Pré-Romano
, pensa-se que a península Ibérica era habitada inicialmente por povos autóctones conhecidos

pelos Ileros. Viviam na zona sul e leste. 
Somente cerca 1000 a.C. é que chegaram os povos Indo-Europeus de origem Celta que viviam a Norte e a Ocidental da Península.

Nesta fase, da história antiga de Portugal, se relata que os Gregos, Fenícios-Cartagineses também habitavam a Península e estabeleceram pequenas colónias-feitorias comerciais costeiras, semi-permanentes, com grande importância estratégica. Estes povos, contribuíram culturalmente com o alfabeto greco-ibérico para as escrituras paleohispânicas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Escritas_paleo-hisp%C3%A2nicas

Período Romano...

A invasão Romana e a conquista da Península Ibérica pelos Romanos iniciou-se com a 2.ª Guerra Púnica datadas de 218 - 201 a.C.. A derrota dos Cartagineses não garantiram a ocupação pacífica da Península Ibérica. 
Depois de 194 a.C. existe registos de lutas com tribos de nativos, denominados genericamente por Lusitanos que duraram até 138 a.C. (alguns autores definem como guerra Lusitana)

Na fase imperial Romana de Augusto em 28 a.C. declarou o fim das guerras civis que durou até à morte de Marco Aurélio em 180 d.C. designado pela "PAX ROMANA" e na Hispânia, o fim das Guerras Cantábricas. Posteriormente, tornou-se numa região pacífica e assegurou-se estas fronteiras. Foi atribuído o nome Lusitânia ao território a oeste da Península Ibérica e no território a nordeste da antiga Hispânia foi atribuído o nome de Galícia. 
Para falar da oliveira, no país que hoje é Portugal, temos que retomar ao seu passado onde as lutas pelas terras e a mistura de povos e culturas deixaram-nos a herança do presente da oliveira e da sua longínqua história na Península Ibérica.
Na cronologia do tempo, se enquadrada no tempo de 210 a.C. a 205 a.C. constata-se que os Romanos levaram dois séculos para completar a conquista da Península Ibérica. A Hispânia, era um celeiro para o mercado romano pois dos seus portos se exportava o famoso azeite, ouro, lã e vinho.
É de salientar que o Cristianismo fora introduzido no século I d.C..O povo Romano, que habitava na Província Romana de Bética e Terraconense incrementaram e enraizaram a cultura da oliveira.

Este povo, ao sedentarizar-se nestas terras, trouxeram/exportaram as suas técnicas ocidentais usadas tanto na forma de tratar a oliveira, e o seu fruto, bem como, a arte de fazer o azeite. Eles conseguiam obter um aproveitamento altamente rentável sendo considerados mestres e peritos desta arte.Encontra-se vestígios de ânforas de azeite que eram importadas da zona de Bética e do Norte de África em lugares onde se comprova a sua existência da sua produção. As zonas onde foi encontrado estes vestígios é descrito por Fabião (1993-1994) em: Mértola, Tavira, Olhão, Loulé, Portimão, Silves, Lagos, Ilha do Pessegueiro, Sines, Santiago do Cacem, Alcácer do Sal, Trioa, Setúbal, Lisboa, Sintra, Alcochete, Vila Franca de Xira, Torres Novas, Tomar, Conimbriga, Arganil, Aljustrel, Beja e Elvas.

Foto: net
 https://www.conimbriga.pt/index.html

"Ne extra oleas" "Não vos afasteis das oliveiras" (Adágio grego retomado pelos romanos)

Era um produto de grande procura nos seus mercados e tinha diversos usos, desde da iluminação até à gordura usada na culinária/ alimentação humana.
Carvalho de Almeida, (1996) faz referência que nesta época foi identificado "três anéis de exploração agrícola" na margem direita do Tejo onde a oliveira ocupava o segundo anel - intermédio. Este azeite, destinava-se para abastecimento do "Olisipo".

O autor Manuel Paquete refere alguns lagares romanos localizados na "Ville de Santa Vitória do Ameixial" - Estremoz, em Beja na Herdade do Moutinho e no Monte do Meio e em Cascais na Vila Romana de Ferreiria. (Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 21)
É interessante registrar algumas palavras romanas veiculadas nesse tempo e usadas hoje em dia:
OLEA = oliveira | usada em CíceroOLEA = azeitona | usada em OvídioOLEA = azeite | usada em CatuloOLIVA = expressão para designar a árvore e o seu fruto OLEQRIUM = lagar ou lugar onde se guarda azeite OLEARUS = homem que fazia azeite ou lagareiro segundo o escritor romano, com pseudónimo de Columela, reconhecido pelos seus tratados sobre a agronomia.

Lúcio Júnio Moderato como pseudónimo de Columela nasceu na Hispânia Bética (Gades ou Ládis) a 4 d.C. e mudou-se para Tarento, região da Púglia - Itália e, por fim, para Roma. Aqui, aplicou em grande escala os seus conhecimentos agrónomos romanos e registou os seus conhecimentos. Este escritor romano, enaltecido pelas suas referências bibliográficas sobre agronomia, escreveu pelo menos, dois exemplares de sua autoria:- "De Rerustica" - Os trabalhos do campo- "Ibero de arboribus" - Livro das árvoresNeste último livro, a oliveira é referida e descrita num modo primordial fazendo referência às oliveiras de Bética.

«OLEA PRIMA OMNIUM ARBORUM EST»

(Lucio Giugno Moderato Columela)

No ano de 409, os povos Germânicos, Suevos, Vândalos e Alamos Sármatas desgastaram o Reno, Gália e a Península Ibérica.-Os Visigodos invadiram a Ibéria; -Os Suevos estabeleceram-se no Reino onde hoje é o norte de Portugal e Galiza; -Os Alanos, vândalos e os asdingos estabeleceram o Reino da Galécia; -Os Vândalos Silingos - Vandalúsia - Andaluzia - Hispânia ficou sobre domínio visigótico.
Nesta fase, do Insépio visigodo, liderado também pelo Rei Witiza (702-709) a oliveira teve uma proteção a nível de lei. Estas leis, criadas pelos visigodos, tornaram-se nas leis altamente influentes na Europa ocidental sendo designadas por "Liber Ludiciorum" - que quer dizer: Código visigótico, sendo o alicerce para o direito espanhol na Idade Média.
O General Cipião Emiliano Africano o "Optimate" político da República Romana descreve o que acontecera nesta conquista e a existência desta árvore neste tempo na Península Ibérica.

O historiador grego Estrabão, (63 a.C.) que também era geografo e filósofo, foi o tutor de uma obra composta por dezassete livros contendo a história, descrições dos povos e dos locais de todo mundo, que lhe era conhecido até à sua data. Ele, assim como, Caío Plínio Segundo (escritor, historiador, gramático, administrador e oficial romano) nasceu em Cosme e ao longo da sua vida destaca-se como procurador na Espanha na época em que Nero era imperador. É de sua autoria o maior "erudito da história imperial romana" - Naturalis História - composta por trinta volumes e faz referência ao azeite, por exemplo em:

Estrabão afirma que no século III a.C. a existência de olivais na região actualmente designada por Ribatejo.

Link: Estrabão
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pl%C3%ADnio,_o_Velho

Livros: https://pt.wikipedia.org/wiki/Naturalis_Historia
https://gredos.usal.es/jspui/bitstream/10366/73266/1/Lusitania_rural_em_Plinio_o_Antigo.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Naturalis_Historia
https://gredos.usal.es/jspui/bitstream/10366/73266/1/Lusitania_rural_em_Plinio_o_Antigo.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Naturalis_Historia
https://gredos.usal.es/jspui/bitstream/10366/73266/1/Lusitania_rural_em_Plinio_o_Antigo.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Naturalis_Historia
https://gredos.usal.es/jspui/bitstream/10366/73266/1/Lusitania_rural_em_Plinio_o_Antigo.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrab%C3%A3o

Plínio: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pl%C3%ADnio,_o_Velho

No século IV e V d.C. o centro conserveiro de peixe ficava em Tróia - Setúbal. As conservas eram um produto de luxo" onde usava-se unicamente azeite para conservar o peixe enlatado. Importavam de Bizacena - Norte de África conforme certifica-se pelas ânforas encontradas. Elas têm a marca onde foram fabricadas, nas antigas localidades Romanas, como Líbia e Tunísia.

Queda do império Romano...

Após a queda do Império Romano devido ao seu enfraquecimento, estas províncias, foram ocupadas por povos Germânicos e posteriormente por Muçulmanos (Mouros e alguns Árabes).

Mais concretamente no século VIII (711-718) quase toda a Península Ibérica fora conquistada pelos Mouros Muçulmanos provenientes do norte de África.O período muçulmano durou entre o século VII até finais do século XV.Quando ocorre a queda do Império ocorreu em simultâneo uma estagnação da olivicultura em Portugal.
Fora neste tempo, que os descendentes dos primitivos colonos Romanos (convertidos em uma nova religião - deixaram de ser cristãos e passaram a ser muçulmanos) os verdadeiros agricultores, dando ao cultivo da oliveira, uma nova valia para o setor.Deixaram escritos judiciosos sobre a técnica agrícola.Podemos referir o sevilhano agrónomo de seu nome Abú Zacaria - século XII - criou o livro "Kitab al - filaha", que quer dizer - "O livro da Agricultura", no capítulo VII transcreve as suas opiniões técnicas e o conhecimento aplicado, nesta época, para o cultivo de Oliveira do século XII.

Kitab al - filaha

Retomando à província de Bética, fora das primeiras zonas da Península Ibérica a serem dominadas pelos Muçulmanos porque possuía riqueza a nível da agricultura, comércio e indústria, para além, de terem uma situação geográfica privilegiada. Estes fatores, foram o principal foco para a civilização islâmica entrar em guerras apoderando-se da Península Bética.

Desta guerra, de lutas e cruzadas, de vencedores e vencidos, estes povos passaram a ter contacto como outros costumes e culturas, tanto com, os antigos povos que habitavam em Bética, assim como, com as penínsulas envolventes resultando uma língua distinta do latim, a qual, era praticada nesta zona e tempo.
Resultou um elo cultural assumindo assim várias interpretações e vocábulos, sendo muitos deles as palavras veiculadas pela língua dos povos vencidos e, muitos deles, ainda hoje prevalecem. Como exemplo temos:

-AZEITE e AZEITONA - uso em toda a Península Ibérica;
-OLIVA - palavra latina é mantida para designar a árvore - a oliveira. Este povo, enriqueceu o seu vocabulário adicionando a palavra -azeite e azeitona.
-AZEITE deriva do árabe - "azzail" e em hebraico se expressou por "zait" em egípcio por "djoit" ou "zoit"
-AZEITONA - No termo árabe era designada por "azzeitum" 
É de realçar que os autores latinos usavam outra palavra - OLIVA e OLEA - para designar oliveira e azeitona.
OLEIA designava também azeite.

A conquista dos territórios influenciou a expressão oral para designação dos vocábulos do tema da oliveira/azeite e a digressão pela antiguidade, também nos deu hoje em dia, testemunhos da técnica de plantação e produção da oliveira e do azeite. Outro autor árabe deste tempo, com obras realizadas sobre este tema, temos Ebn Hajaj e Abú-el-Jair.

Livro da agricultura de Abú-el-Jair:
https://books.google.pt/books?id=1bxAAQAAMAAJ&pg=PA696&lpg=PA696&dq=abu+el+jair&source=bl&ots=TczBxi1dsM&sig=CNCwsgjgRq3om5ilfoqmv1zwRMY&hl=pt-PT&sa=X&ei=ROiiVNuYHsmsU7r_gpgL&ved=0CDoQ6AEwBw#v=onepage&q&f=false

Na zona ocidental e Atlântica da Ibéria há como referência a primeira documentação datada de 747 da autoria de um historiador português capacitado de um conhecimento notório da vida rural e da economia da zona nordeste de Portugal. Alberto da Cunha Sampaio, natural de Guimarães (1841-1908) refere que no ano de 747, século VIII, na região "Galaico-minhota" (Galiza na freguesia de Oliveira do Douro) havia dois argumentos de ordem toponímica herdada da época visigótica.

https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4721/1/Vol.1%20Parte%20I%20-%20II%20-%20Texto.pdf

No ano de 747 "fala" da "Villa O Livatello majore et alio Oliveto Ripa Sile" e também "mola de olivas" como no espanhol. E. Flórez também nos documenta esta situação em "Espãna Sagrada, XVI Madrid, 1752, 357".

https://www.cm-vilareal.pt/gremio/images/publicacoes/tellus53.pdf

Estas duas referências da Galiza nos transmitem que os grandes mosteiros que ergueram-se nesta zona preocuparam-se em restaurar os olivais e tradições culturais dos terrenos reconquistados aos Islâmicos/Árabes.

Alberto Sampaio (Sampaio 1923: 110) na sua obra intitulada: "Estudos históricos económicos, 1923" faz referência que no ano de 1066 existiu uma outra toponímia localizada na região sul do rio Minho, atual freguesia de Oliveira do Douro, em concreto em Vila Nova de Gaia - "Olivaria" e "Ulvaria".

Não se conhecem a existência de outras referências históricas nos documentos antigos nortenhos, considera-se que a sua escassez (da cultura de oliveira) seria grande a norte do Rio Mondego.

Muitos historiadores, comentam e afirmam que a gordura predominante para alimentação na vida quotidiana dos homens do burgo, desta época, derivava da gordura animal. Na alimentação, medieval destes povos, o azeite não era a gordura mais apreciada neste povo como afirma Iria Gonçalves.

É muito interessantes as conclusões deste estudo efectuado por Iria Gonçalves:

"povos do Noroeste peninsular que tinha como fonte de subsistência a criação de gado em regime silvo-pastoril. Os autores clássicos, em especial Estrabão, referem que o gado era abundante entre os povos do Norte (III, 154) que sacrificavam bodes e cavalos a uma divindade idêntica a Ares grego (Mars Cosus). O gado bovino e suíno constituía a base de alimentação destes povos do norte peninsular, como se depreende ainda das referências de Estrabão (III, 162; 155) à fama dos presuntos cantábricos e cerretanos. As gorduras animais, em especial do porco, tinha um papel 251 importante no regime alimentar destes povos que, ainda segundo Estrabão, substituíram o azeite pela gordura do porco (Livro III, 4, 11) e pela manteiga (III, 162; 155). Aliás a utilização das gorduras animais não é apenas característica das comunidades da Idade do Ferro. A escassa presença de contentores de azeite ao longo de todo o período imperial e os dados obtidos pelas análises arqueométricas realizadas na Universidade de Santiago mostram que a romanização do Noroeste Peninsular parece não ter implicado uma transformação imediata dos hábitos alimentares das povoações indígenas (Dopazo Martínez, et alii, 1996: 294). Neste estudo o porco (Sus Domesticus) aparece como o terceiro componente principal das actividades pecuárias galaico-romanas, evidenciando um aproveitamento básico da carne que de acordo com os autores poderá ser testemunho dum momento de "relacíon óptima entre magro y grasa" (id. ibidem, 295)." 

https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4721/1/Vol.1%20Parte%20I%20-%20II%20-%20Texto.pdf 

Voltando ao sul, onde o mouro lidava arduamente os campos constata-se nos documentos do século XII e XIII um desenvolvimento da agricultura.

Enquadra-se neste tempo - da ocupação Islâmica - os fragmentos de talhas e ânforas para conservação de azeite e azeitonas em Silves. Estes achados, identificados pela arqueologia indicam a prática da olivicultura como informa Gomes (2002, 63). (Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 22)

Império da Reconquista Cristã...

Nos finais do século XII os forais são poucos claros face a este produto e árvore. Na Reconquista Cristã, em 1139 foi fundado o Reino de Portugal (1139-1385) a partir do Condado Portucalense. 

Condado Portucalense em 1070

A história do Condado Portucalense começou a ser construída por volta do ano 1000, localizado a norte da atual área geográfica portuguesa. Defrontámos com novos elementos e até com a palavra chave para este tema, a expansão da oliveira!

                                                     Bandeira do Condado Portucalense

Após a perda dos territórios para os Mouros vindos do norte de África, o Rei Afonso VI de Leão e Castela travou várias lutas contra os mouros e pretendia defender os seus territórios e obtê-los de volta.

Todavia, o Rei sentia que o seu reino/terras estavam, cada vez mais, em perigo de as perder e resolveu dividi-las em territórios e entrega-lo a pessoas de seu interesse.

Ao Conde Henrique de Borgonha foi-lhe entregue as terras do atual norte de Portugal.Travou lutas e escolheu a cidade de Guimarães como a capital do seu novo território.

Após a morte do Conde Henrique de Borgonha em 1112, sua esposa Dona Teresa fica a governar, anos depois, casou-se com um fidalgo galego de seu nome Fernão Peres. Este casamento coloca em risco a dependência deste condado, a favor dos Espanhóis.

"D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal." wikipedia

Afonso Henriques, aos 14 anos, filho de Dona Teresa com o Conde Dom Henrique enfrenta sua mãe e arma-se cavaleiro vencendo a Batalha de São Mamede em 1128.

Defendeu pelos seus próprios interesses e, as suas opções, foram por si pensadas e realizadas pensando que seriam as melhores para o seu Condado. Batalhou nos seus ideais e nas suas lutas contra os Mouros alargando, cada vez mais, os territórios para sul.Na Batalha de Ourique (Baixo Alentejo) se declarou a independência do Condado Portucalense no ano de 1139.

 "O Reino de Portugal na península Ibérica (1210)."wikipedia

Com esta ocupação de territórios, a sul, acresciam riquezas para o Reino de Portugal e o impulso da Reconquista Cristã.

Afonso Henriques - Fundação do Castelo Leiria 1135

Afonso Henriques - Batalha de Ourique Ourique 1139

Afonso Henriques - Tomada do Castelo Santarém - 1147

Afonso Henriques - Conquista de Lisboa Lisboa - 1147

Afonso Henriques - Batalha de Sacavém Sacavém - 1147

Afonso Henriques - Tomada do Castelo Almada - 1147

Afonso Henriques - Tomada do Castelo Palmela - 1147

Afonso Henriques - Conquista Alcácer do Sal - 1158

Afonso Henriques - Conquista do Castelo de Cera - Tomar 1159

Afonso Henriques - Conquista de Évoramonte - Évoramonte 1159

Afonso Henriques - Conquista de Beja - Beja 1159

Afonso Henriques - Reconquista de Beja - Beja 1162

Afonso Henriques - Conquista de Évora - Évora 1165

Afonso Henriques - Tomada de Serpa - Serpa 1166

Afonso Henriques - Tomada de Moura - Moura 1166

Afonso Henriques - Batalha de Badajoz - Badajoz 1169

Sancho I - Conquista de Alvor - Alvor 1189

Sancho I - Cerco de Silves - Silves 1189

Afonso II - Batalha Navas de Tolosa - Navas de Tolosa 1212

Afonso IV - Batalha do Salado - Cádiz 1340

https://pt.wikipedia.org/wiki/Reconquista

Manifestis probatum foi uma bula emitida pelo Papa Alexandre III, em 1179, que declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, e D. Afonso Henriques, o seu soberano. Esta bula reconheceu a validade do Tratado de Zamora, assinado a 5 de outubro de 1143em Zamora, pelo rei de Leão, e por D. Afonso Henriques." wikipedia"

Uma referencia histórica importante referente à oliveira refere-se ao ano de 1147 quando Lisboa foi conquistada aos Mouros pelo Rei D. Afonso Henriques. Um grande contingente de cruzados do Norte da Europa veio ajudar decisivamente a captura de Lisboa. Após a sua conquista, foi escrita uma carta em Latim designada "De Expugnatione Lyxbonensi" carta esta, que descreve detalhadamente a história do cerco de Lisboa.

https://pt.wikipedia.org/wiki/De_expugnatione_Lyxbonensi

As ambiguidades do latim medieval, torna difícil saber quem foi o autor e o seu destinatário.
Segundo várias referências atribuem ao cruzado Osbeno de Bawdsey a sua narração e tem um elevado valor histórico fazendo parte do Códice 470 da Biblioteca do Colégio do Corpo de Cristo da Universidade de Cambridge. 
Nesta carta, realça os lindos olivais que ladeavam a cidade de Lisboa.

O foral de 1170 dado por D. Afonso I concedidoaos mouros "forros" de Lisboa, Almada, Palmela e Alcácer e com alguns forais dos mouros forros do Algarve em 1269 e de Évora em 1273, Langhans (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 21) "faz referência expressa ao azeite". Gama Barros Langhanh e Ribeiro (1991:111) transmitem que esta informação não é descrita em nenhum dos outros forais: "referência que não se encontra em nenhum outros florais" (Gama Barros (tomo IV, 49).

Na Idade Média, os lagares da produção de azeite originaram núcleos desta cultura oleícola que expandiram-se para todo o território português.

Henrique da Gama Barros (1833 /1925) fora um historiador e Governador Civil do Distrito de Lisboa e escreveu a "História da Administração Pública em Portugal" nos séculos XIV e XV, ressalva que a produção do azeite se concentrava em Coimbra (1329) e Évora (1392).

 Gama Barros 8 Tomo IV- página 499

Já no século XII os monges do Convento Santa Cruz e os Cistercienses do Mosteiro de Alcobaça eram afamados por serem agricultores exemplares e, no Convento de Santa Cruz, possuíam um grande centro agrícola, sendo a oliveira uma das árvores mais abundantes nestas terras de Cister.

No século XII estes monges iam adquirindo, por meio de vários títulos, outros olivais que ficariam da sua tutela e estavam localizados em várias zonas de Portugal.

É de salientar que em 1153 D. Afonso Heriques deu uma área aproximada de 40.000 hectares na região da Serra dos Candeeiros até ao litoral. 

Como exemplo, temos no ano de 1172, 1173, 1174, 1177, 1183 e 1192 em Vila Médica, em 1175 na Fonte da Rainha, em 1177 na Várzea do Mondego, em 1190 e 1191 no Alvor e em 1196 em Coimbra.
Eles tinham terras da semeadura, vinhas, olivais e um lagar.Assim se prova, que a economia do azeite já tinha escala em Portugal, em pleno século XII.
Nas férteis regiões do sul, abundavam os olivais, e dessa azeitona se extrairia azeite usado pelas populações Mouras e Mocárabes.
Quando se desenrolou a conquista do Reino do Algarve, aos Sarracenos, começou uma nova fase, o de transformar terrenos não cultivados - plenos matagais - em terras aráveis onde os novos colonos lidavam fortemente com a oliveira.

Forais concebidos em Portugal...

As cartas de forais concebidas em Portugal, entre o século XII e século XVI, são os documentos reais que estabeleciam um conselho e regulamentava a sua administração, deveres e privilégios.

Estes forais, existentes em Portugal, tornam-se nos documentos mais antigos cuja referência do azeite é plenamente incluído na listagem de produtos produzidos no país.Eles informam-nos as regiões de produção e o consumo do azeite, bem como, notas fiscais relatando o valor de pagamento do imposto deste produto.No foral de Évora datado de 1166 é considerado o foral modelo para outras cidades:

Foral de Proença-a-Velha-1218
Foral de Sortelha - 1228-1229
Foral de Salvaterra -1229

O autor F. P. Langhans refere na sua obra "Apontamentos para a história do azeite em Portugal" que os forais:

"referem-se ao azeite quando tratam dos direitos de portagem ao imposto que incidia sobre as mercadorias entradas nos recintos amuralhados das cidades, vilas ou lugares" (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 20)No ano de 1162 foi regulamentada a exploração olivícula incentivada pelo Grande Mestre da Ordem dos Tempelários- Gualim Pais. Este Cruzado, Freire Tempelário, Cavaleiro de D. Afonso Henriques e fundador da cidade de Tomar, segundo o autor Guimarães, (1979: 9) fora quem construíu os moinhos e lagares na "Ribeira de Tomar".

"A ordem do Templo depois de convertida na Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos finais do século XIII, detinha o exclusivo da exploração dos lagares de azeite na região de Tomar, cujo monopólio foi disputado pelo alcaide mor local, que contestava a obrigatoriedade de todos "moerem nos lagares dos Freires e só neles". Contudo, uma sentença régia, de 13 de Junho de 1295, confirmaria esse exclusivo à Ordem do Templo."

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 32)

No entanto, há muitos outros forais da mesma época, que não têm referência ao azeite, mas que agrupam-se dentro de vastas zonas territoriais. Langhans, conclui que, o "consumo se circunscrevia a estas latitudes que, em virtude de outros dados, sabe-se que coincidiam com as zonas produtoras ou, pelo menos, como zonas contíguas a estas"Como exemplo, temos o foral de Santarém de 1176, "que foi dado, não poder destinar-se à revenda o azeite trazido, para consumo próprio de Lisboa ou de outro sítio."
Nos forais da Beira Alta, do Douro, de Trás-os-Montes e do Alto- Minho não há referências deste óleo extraído da azeitona.Esta situação, já fora referida que a norte de Portugal o cultivo da oliveira na época Romana e na zona da Galiza não é garantida pelas referências paleobotânicas correspondentes a estudos antraco-ógicos realizados no Minho e Trás-os Montes (Figueiral, 1990; Figueiral in Bettencourt 1999) e também estudos polínicos realizados aos maciços galaico-minhotos e no extremo ocidental da Península Ibérica que foram investigados pela Universidade Santiago.

"A escassez das conhecidas ânforas Dressel 20 no Noroeste peninsular tem sido reiteradamente sublinhada por quantos têm estudado a região (Naveiro, 1991 a: 67-69; Paiva, 1993: 103; Fabião, 1993-94: 236; Morais, 1998: 81-82). Não se trata de uma deficiente avaliação dos dados disponíveis. Como bem sublinha Carlos Fabião (Fabião, 1993-94: 239), existe uma "ampla e diversificada" informação para o Noroeste peninsular que permite, desde logo, afastar a hipótese de se tratar apenas de uma deficiente "geografia de investigação". Tal situação não deixa de causar alguma perplexidade, visto que se trata duma região onde a olivicultura não encontra as condições ideais de desenvolvimento. Como se sabe o cultivo da oliveira em época romana no Norte de Portugal e na Galiza não é garantido pelas referências paleobotânicas correspondentes a estudos antracológicos realizados na região do Minho (Figueiral, 1990; Figueiral in Bettencourt 1999) e Trás-os-Montes (Figueiral in Sanches 1992; Figueiral 1995) e pelos estudos polínicos realizados nos maciços galaico-minhotos e no extremo ocidental da Península Ibérica pela Universidade de Santiago. Nos diagramas polínicos registou-se apenas a presença da oliveira como planta silvestre (Olea sylvestris L.), testemunhada no final da Idade do Bronze, ou mesmo ainda em períodos anteriores à adopção da agricultura (Ramil-Rego, 1992; Ramil-Rego 1993; Dopazo Martínez, et alii, 1996: 322-3; RamilRego et alii, 1998)."

Carlos Fabião menciona que não se deve a uma deficiente avaliação dos dados disponíveis (Fabião, 1993 - 94: 239). Nesta investigação, dos diagramas polínicos, só há a confirmação da existência da oliveira como planta silvestre -oleia sylvestris L.- testemunhada na Idade do Bronze ou até períodos anteriores. (Ramal Rego, 1992)

Orlando Ribeiro (1911- 1997), geógrafo português que se dedicou ao ensino e à investigação e conta com uma elevada projeção internacional. Nas suas vastas obras geográficas, refere também a difusão da oliveira no Alto-Douro, Minho e Trás-os-Montes a qual não verifica-se antes do século XVI. (Ribeiro, 1991: 139)

Em Évora no anos de 1392 há um documento fulcral para a história da olivicultura em Portugal. Este documento definido por "O Regimento da Cidade de Évora", escrito pelo corregedor João Mendes de Góis, pertencente à Corte do Reinado D. João I, descreveu neste regimento a primeira regulamentação sobre os olivais, lagares e azeite.

F. P. Langhans (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 23) nos descreve essas minuciosas leis:

"1- O corte de lenha de oliveira verde ou seca era punido com prisão, multa e indemenização ao dono; 2- O dono do gado que deixasse este andar, de dia, pelos olivais, era punido com multa e seria com a pena de degredo verificado certo número de reincidências ; 3- Enquanto tivessem azeite alheiro, os lagareiros eram obrigados a terem as tulhas fechadas, sob pena de multa para o concelho e reparação para o dono; 4- Os lagareiros eram obrigados a fazer as moeduras iguais e por medida direita: 12 fangas, medidas por fanga direita de 2 alqueires cada fanga; 5- Conforme a moedura era de SARTAAM ou de CALDA assim era fixado o salário do lagareiro; 6- A água dos lagares devia ir ter às fontes; 7- Só se permitia corrais de gado e de porcos fora da cidade, para lá dos olivais; 8- "Porque os olivais não podem dar os fruytos se os nom lavrarem e nom os lavrando se hyriam a perder o que seria grande perda da cidade e moradores della" mas ao lavrarem-se acrescenta, os bois deviam ser trazidos à mão e com pegureiro"

O historiador erborense Gabriel Victor do Monte Pereira (1847/1911) era um homem apaixonado pela história e nos traduziu os livros de Estrabão e Plínio (obras que nos caracterizam a geografia da Península Ibérica).Este historiador, na sua obra referente aos documentos históricos da cidade de Évora - Estudos Erborenses - História e Arqueologia, reúne os trinta e sete fascículos publicados entre 1884 e 1894, fazendo referência ao regimento de Évora de 1392, obra de onde Langhans extraiu as leis regentes.

A monarquia da Idade Média fazia as suas inquirições, ou seja, averiguavam de maneira minuciosa, verificando se algum membro da nobreza ou do clero se tinha usurpado de bens da Coroa Portuguesa. Nas inquirições de 1395 há registos que nos olivais, mais concretamente, da Beira Baixa - Covilhã a seguinte referência:

"hun chaão dentro da victa villa... qual chãao esta tapado sobre sy que ora he chentado do olival."

Langhans (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 21) nos explica que o azeite nos fins do século XIV não devia de ser das primeiras riquezas agrícolas da Beira Baixa.

Era das Descobrimentos...

A estabilização das suas fronteiras a 1297 torna Portugal o país Europeu com as fronteiras mais antigas.
Portugal, foi o pioneiro na exploração marítima na Era dos Descobrimentos Portugueses entre 1415 e 1543. Com esta expansão portuguesa e com os seus descobrimentos contribuiu-se para a delineação dos primeiros mapas de cartografia mundial.

Os marinheiros, do Império Português ou do Império Colonial Português, atingiram proporções tais como a África, América do Sul, Ásia e Oceânia que hoje em dia fazem parte de 53 países diferentes.


Em 1419 iniciaram a exploração da costa de África aplicando os recentes desenvolvimentos da área da cartografia, navegação, tecnologia marítima e tinham o objectivo de encontrar uma rota marítima lucrativa para o comércio das especiarias do oriente.

No ano de 1488, o navegador português, Bartolomeu Dias foi o primeiro europeu a navegar para além do extremo sul de África "dobrando" o lendário Cabo da Boa Esperança chegando ao Oceano Índico por meio do Oceano Atlântico.

Em 1498 o navegador, explorador e comandante português Vasco da Gama navegou da Europa para a Índia, sendo até a esta data, a maior viagem náutica realizada. O Rei D. Manuel I confinou o cargo de capitão-mor da frota que zarparam de Belém (Lisboa) a 8 de Julho de 1497.

No ano de 1500 Pedro Alvares Cabral chegou à costa atlântica sul-americana, mais concretamente às terras que constituem o Brasil.
Nos anos seguintes os descobridores marítimos lusitanos exploraram as ilhas do leste da Ásia criando fortes e feitorias.

Resumindo, as terras do Reino de Portugal atingiram proporções até África, América do Sul, Ásia e Oceânia! 
A riqueza oleícola iniciou seu pico nos fins do século XIV e este fato deve-se ao "alardeando a abundância do Reino" narrado na terceira crónica no Rei D. João I escrito por Gomes Eanes de Azurara (1410 / 1474).

Este autor fora o Guarda/Conservador da Livraria Real e Guarda- Mor da Torre do Tombo e em 1004-150 escreve:

"crónica del Rei D. João I de Boa memória. Terceira parte em que se conta a tomada de Ceuta (Lisboa 1644)". 

Nesta crónica é referido o azeite:"GRANDES MJLTOS PORTUGUESES Acabamos, portanto, de vêr que os dois problemas vitais que a agricultura então apresentava - o do apro- veitamento das terras incultas e o da mão d'obra - preocuparam muito D. João I que buscou resolvê-los promulgando, durante quasi todo o seu reinado, suces- sivas medidas por meio das quais procurava proteger o desenvolvimento agrícola do país. E que os seus esforços não foram improfícuos demonstra-o o facto de que, quando se fez definitivamente a paz com Castela, o aspecto agrícola de Portugal era consolador. Eis o que a este respeito Azurara atribue aos velhos que andavam radiantes pela conclusão da paz : «Agora he Portugal o mayor & mais bem aventurado reino que ha no mundo ca nos temos antre nos todalas boas cousas que hum Reyno abastado deve ter, nos temos grande avon- dança de pam, por tal guisa, que nunca a destempe- ranca dos tempos pode ser tamanha que sempre em alguas das nossas comarcas nam aja pam, com que se as outras possam repairar, & ainda quando os annos forem iguaes, de nossa avÕdãça poderemos aproveitar a muitos de nossos amigos. Temos muitos vinos de desvairadas nações, de q nam somente a nossa terra he abastada, mas ainda se carregam muitas nãos & navios para socorrimento de terras estranhas. Pescados do mar e de rio sam tantos e taes que em outras nenhíjas partes do mundo sam achados & em mayor avondamça, ca dos nossos portos se mantém muy grande parte da Hespanha. Azeites e melles sam ãntre nos tantos e tam boos, que os nossos vizinhos ham mister de nos & nam nós delles. Carnes de todalas maneiras proveitosas & de grande sabor, que nas nossas terras & campos se criam per todolos tépos do anno, quaes e quejandas as naturezas dos homens sãos & doentes ham mister. Fru- tos e legumes como todalas outras cousas nacem em nossas terras sem grande trabalho dos homés. & assi avemos estas cousas em tamanha abastança que a m.ul- tidam nos faz despresar sua valia» (')."(') Chron. D. João I; III Parte, por Azurara; cap.5

O Rei regente desta época, D. João I, em 4 de julho do ano de 1399 dizia:

"No concelho de Coimbra que a principal produção agrícola era ahi o azeite"

(Gama Barros Tomo IV - página 49)

Dada as leis antigas de D. João I, regidas pelo reino: 
"era prohibido aos negociantes, nacionais ou estrangeiros, comprar azeite para exportação em qualquer Terra que não fosse Lisboa" 

Os conselheiros falaram com D. João I e informaram que os lavradores de Coimbra pediam a liberdade do comércio do azeite. D. João I atendeu o seu pedido, mas na condição de os carregarem no rio e foz do Mondego, para fora do Reino ou para consumo interno do país.

Esta fora uma lei excepcional para Coimbra, encarecendo assim, a importância dos seus olivais. As Cotes Lisboa em 1456, assim como, Montemor-o-Velho também solicitaram a mesma autorização, mas só conseguiram obter do Rei um definitivo condicionamento.No ano de 1460 há registo nos documentos das cortes de Évora, que Coimbra continuava a ser referência no país no setor oleícola, mas carecia de "especiais medidas de proteção".
O concelho alegava que havia ordenações "prohibindo que dos olivais a dentro se ereasse gado, se encerrasse ou deitassem a pastar" e podiam ao rei que mandasse cumprir as ordens estabelecidas.Outro facto concelhio informavam que havia prejuízos nos olivais dado aos fogos porque não os lavravam ou "Rocarem".

O Rei resolveu não interferir porque era um bem do povo e consentiu que o povo resolvesse e só lhe tinham que comunicar a resolução, para o Rei, ter conhecimento, confirmar e aprovar.Outra referência redigida pelas Cortes, provavelmente Lisboa, no ano de 1439 refere-se a Torres Novas.

A Rainha, viúva de D. Duarte, mandou construir nessa terra largares e ordenou "à lagaragem o preço que entendera "Gama Barros, Tomo IV - Página 50Nesta terra, localizada no centro de Portugal - Ribatejo - havia outros lagares, além dos da Rainha, e os lavradores desta zona preferiam os lagares que não eram da Rainha. A Rainha, teve conhecimento desta situação regeu uma nova lei:

"prohibiu que o dono do Lagar lançasse até que os da Rainha fosses lançados".Este excerto referente informa-nos que a Rainha proibiu os lavradores que fossem moer ao outros lagares da terra e quem fosse, o Lagareiro perdia o animal da moenda e o Lavrador que mandasse moer, em outro lugar, que não fosse na Rainha, perdia o seu azeite!!

Há outros exemplos de reclamações apresentados pelos povos referente a este produto registrado/ documentado nas cortes.Inicialmente referi que Évora era uma das primeiras zonas em Portugal onde olival era relevante, bem como, a cidade de Coimbra. E no século XIV, Portugal a vários níveis tais como políticos, sociais e económicos fica fortemente guarnecido de meios para se tornar num país com fortes poderes.

A nível agrário, as terras deixam de ser matagais e passaram a ser produtivas obtendo um aumento da produção e uma generalização geográfica da circulação e consumo dos produtos agrícolas internamente e, o seu excedente, era exportado para outros países.

No reinado de D. Fernando (1367-1383) a produção do azeite era abundante.
D. João I a 4 de Junho de 1399 reconhecia que Coimbra era o grande centro oleícola de Portugal. 
Em Coimbra, no ano de 1515 foi promulgado o regimento dos lagares de azeite, recompilado mais tarde, no ano de 1554.
Somente no ano de 1572 é que foi promulgado o Regimento dos Lagareiros da cidade de Lisboa. 
Segundo o cronista oficial de D. João II e de D. Manuel, Rui de Pilar, registou que o azeite era exportado pela Barra de Aveiro, como já fora referido, com permissão de D. João I.

O entreposto de Lisboa era o um importante centro distribuidor e produtor, segundo o historiador português António Costa Lobo refere que os olivais cercavam o Mosteiro de Santos-o-Velho, um monte de Santana:

"era um olival cerrado, impenetrável à vista" 

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 27).


Costa Lobo faz uma retrospetiva do olival a nível de Portugal no século XIV dizendo:

1- Planícies do Alentejo: 

"Évora encontra-se na orla daquela fixa, cuja linha mediana se dirige de Ourique a Castelo de Vide passando por Beja, Vidigueira e Vila de Estremoz; faixa, já no século XV, fecunda em pão, vinho e azeite, e onde se encontra o mais ubertoso e cultivado torrão do Alentejo"

2- Algarve: 

"escassa a cultura de cereais e diminuta a criação de gados; as herdades constavam, pela mor parte, de OLIVEDO e figueirais"

3- Norte: 

"nas relações dos magistrados com o governo central, o Porto é por eles representado como uma rocha estéril, não produzindo nem pão, nem azeite, nem vinho. "

4- Beira: 

"os magistrados municipais indignavam-se, nas Cortes de 1482, de que muitos indivíduos, contra as disposições do foral, introduzissem vinho estranho em uma cidade, que não tinha lavouras, nem olivais, mas somente algumas vinhas, com que suportava a existência;..."


-Em oposição as cidades de Lamego, Viseu e da Guarda "na feracidade do torrão circunjacente, Lamego era a mais avantajada destas cidades. No meado do século XV expedia para o Porto cereais, azeite, vinhos e vinagre"

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 27)

No século XVI, Severim de Faria indica que no Norte, mais concretamente, em Moncorvo a olivicultura começou a vingar fortemente somente no século XVI. 
Quanto a Mirandela João Barros indica que os primeiros olivais datam dessa "centúria". (Taborda, 1932:125-126) (Paquete, MANUEL; Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página: 23)

Resumindo, o período inicial histórico do azeite na Península Ibérica e no tempo da Fundação de Portugal e tempos anteriores, ao século XVI, se baseiam em documentação escassa e em elementos cronológicos dispersos onde também se pode constatar a escassez dos olivais.
No século XV, os manuscritos tornaram-se elementos valiosíssimos porque nos informam que as terras não eram trabalhadas havendo matagais por desbastar e no século XVI predominava ainda uma escassez de olivais e por sua vez de azeite. 
No tempo quinhentista, passa a existir factos documentados desde o lugar exacto dos olivais, da produção e da localização dos lagares. Nesta época, também se inicia a exportação deste produto tão importante para a economia nacional portuguesa.
As Descobertas Marítimas rumo às Áfricas, Oriente e América -Brasil, tornam-se em novos mercados externos.
O azeite, era um produto fabricado na metrópole, o qual, iria lucrar com a exportação do azeite para o Império Ultramarino Português.

Exportações...

A exportação era destinada aos países do norte da Europa e para as conquistas da época dos Descobrimentos em especial para a Índia, ocupando o primeiro lugar. (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 78)

Jaime Cortesão era um notável médico dos anos 1884/1960, um intelectual que nos deixou várias obras subordinadas ao tema - "Comércio com a Índia". Um tema vastamente assumido e debatido nos seus pontos de vista:"comércio de trânsito que em nada ou em quase nada beneficiava a indústria nacional. Quase todos os produtos de troca enviados para o Oriente, o cobre, o azougue, a prata , os tecidos, executando vinho e o azeite, eram importados do estrangeiro, e a sua venda na índia pertencia exclusivamente ao rei." (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 29)

Referente à exportação para a Índia pode ser constatar ainda o seguinte, Frei João de S. José, afirma-nos:"...e assi he também o fruito q da e por isso deste Reyno (do Algarve) se faz conserua todos os annos que se leua em pipas e quartos p.a as Índias e outras m.tas partes do Mundo." (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 79)

As principais cidades para onde o azeite português ia era para as cidades de Bruges e Antuérpia -Flandres.

Há uma narração escrita pelo Freire da Oliveira, que ao organizar os documentos do Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, comentou que no século XIV o azeite era um produto tão abundante que:"ainda no reinado de D. Fernando I havia tanta abundância no país que Flandres, Alemanha, Castela, Leão e Galiza se abasteciam de azeite de Lisboa, Coimbra, Elvas, Moura e Beja." (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 35)

No século XIII a cidade de Bruges prova através da "Cartulaire de l´ancierme estaple de Bruges" nos regista que Portugal exportava entre os produtos portugueses o azeite de oliveira português.

No livro "Os peninsulares mas - Guildas- de flandres" o seu autor, José da Silva Figueiredo faz referência que no reinado de D. Manuel (1495-1521) exportavam para as cidades do Norte da Europa, por intermédio da Feitoria e foram colocados 266 barris de azeite.Posteriormente, no decorrer do século, a exportação aumentou para os portos Flamengos atingindo 3000 pipas, por cada colheita. Lúcio de Azevedo verifica também que na crise agrícola a exportação teve uma quebra acentuada.

Na segunda metade século XVI era uma boa fonte riqueza para economia do Reino.O azeite, era utilizado na alimentação humana, preparação dos alimentos, usado como uma das principais fontes de combustível para iluminação. Usava-se também para a fabricação de certos produtos como o sabão e vários medicamentos.

Assim, neste século, se exportava para além da azeitona e o azeite, o sabão como produto derivado do azeite.Sobre o tema de exportação, deste tempo, Duarte Nunes de Leão, na sua obra "Corografia do Reyno de Portugal" faz referência que Portugal exportava para:
-Flandres e Alemanha-várias partes do reinos de Castela-a-Velha, Leão E Galiza-India Oriental-Brasil-Ilhas do estado português
Medidas, preços, lugar de venda e portagem...Quanto às medidas do azeite, no ano de 1476, emitido a 27 Setembro no artigo das sisas - capítulo 47 - regula a medição do azeite, como se pode verificar no Tomo I do autor Borges Carneiro no livro - Resumo cronológico das leis.


1- "Nos lugares aonde houver Medidor do Concelho ajuramentado, somente ele meça azeites que se venderem nos lugares ou em outras casas, devendo antecipadamente fazello saber ao Rendeiro ou Recebedor para assistirem à medição, querendo; e não lho fazendo assim saber, ou intrometendo-se outra pessoa na dita medição, elle ou ella paguem 300 reis ao Rendeiro ou Recebedor. E se no lugar não houver Medidor, qualquer pessoa poderá medir sob a mesma obrigação e pena."

2- "De todas as cousas que se venderem ou trocarem se paguem de siza 2 solos por libra, o vendedor hum e o comprador outro; porém de pão cozido ouro e prata nada se pague, e do sal 5 libras por alqueire.-Seja pois a siza nas vendas a décima parte do preço dellas nas trocas do valor das cousas trocadas que para isso serão avaliadas: e quanto ao sal seja de 10 libras por adquire."

3- "... semelhantemente serão havidos por vendas e sujeitos à siza os contractos, pelos quais quaes as pessoas que tem terras ou rendas arrendadas por pensões certas de pão e vinho ou azeite, vendem as ditas pensões por preço certo ou por outra espécie diversa da do contracto, ou, ainda não sendo certas essas pensões, se os arrendamentos se fizerão sendo de pão depois do 1º de Agosto, e sendo de azeite e vinho ou meuças depois de apanhados e sabidos estes fructos."(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 39)


Quanto à medida e preço praticado, neste século, temos referência que o alqueire (palavra de origem árabe al-kail era variável ao longo do tempo e de região para região o seu peso/medida) era a medida usada antes do século XVI, depois deste século era usado também o almude.Sobre estas referências o historiador Franciscano Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (1744/1822) na sua maior obra intitulada "Elucidário" nos informa na página 352: "No de 1315 foi dita Bulla revogada..."

Langhans nos transite que Viterbo no su livro "Elucidário" e no Sétimo livro da Estremadura que o preço praticado em 1401 em Coimbra era de uma libra para um alqueire. E em 1475 estava na média de 20 a 40 reais o alqueire de azeite.
Quando à venda do azeite no Alvará Régio de 3 de Fevereiro de 1574, proíbe a compra do azeite destinado a revenda no raio de 10 léguas fora da cidade de Lisboa ao longo do Rio Tejo até à cidade de Abrantes. (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 78)

As duas regulamentações mais antigas sobre o preço e venda do azeite dado por diploma régio.
1ª)- Viterbo, na sua magnífica obra Elucidário, V. Alvitra reporta-nos às "Ordenações Afonsinas", no seu livro segundo, título 99 nos diz: 

"...e esto vos faço per tal, que dedes a mim wm cada hum anno senhos maravedis de cada huã cabeça des aquelle tempo, que o mantimento necessario gaançar poderdes; e que dedes a mim Alfitra, e Azaqui, e a dizima de todo o vosso trabalho; e todallas minhas vinhas adubedes, e vendades os meos figos; e o meu azeite, como venderem os moradores da Villa a terça parte dos meus moios." 

(PHM, Leges et. Cons., I parte, p.396; Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 44)

2ª)- A segunda regulamentação é uma legislação medieval portuguesa encontra-se nos "Estatutos de Coimbra de 1145", e o autor do livro PMH de Herculano nos descreve o seguinte: A- 

"... E esto vos faço per tal, que dede a mim em cada hum ano senhos maravedis de cada huã cabeça des aquelle tempo, que o mantimento necessario gaançar poderdes; e que dedes a mim Alfitra, e Azaqui, e a dizima de todo o vosso trabalho; e todallas minhas vinhas adubedes, e vendades os meus figos; e o meu azeite, como venderem os moradores da Villa e terça parte dos meus moios."B- "... Item de tendariis ... Vendant oleum ad sumum de cubello uno pro medio morabitino." 

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 44)

Estas são as duas primeiras transcrições da história legislativa do azeite português, até à presente data que se tenha conhecimento.

Quanto à venda do azeite e o seu local onde este tipo de comércio deveria-se praticar e os costumes de 1280 em Évora registam:

"E tollés que non som vezinhos e aduzem venda aa Villa comuem a saber trigo ceuada milho centeo ou legumha ou sal ou azeyte ou pescado ou fruytas ou verças dalmuya devem his vender ao açougui E da seu foro... Item de carrega de azeite de caualo VI dinheiros. " 

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 45)

Outro elemento interessante refere-se ao AUTO DA MOFINA MENDES ou dos MISTÉRIOS DA VIRGEM 1534 de Gil Vicente, apresentado nesse ano na festa do Natal ao Rei D. João III. Neste elemento, faz referência à venda do azeite nas feiras.

Links:https://www.joraga.net/gilvicente/pags/ximagens43MofinaM.htm

"Mofina Mendes:

-Vou-me à feira de Trancoso

Logo, nome de Jesu,

E farei dinheiro grosso.

Oo que este azeite render

Comprarei ovos de pata

Que he a cousa mais barata

Qu´eu de la posso trazer."(página 78)

Inúmeras referências são citadas pelo historiador Almeida Franz Paul Langhansque leu os forais dos concelhos de Portugal e partilhou-nos no seu livro - Apontamentos para a história do azeite em Portugal (Editado pela Junta Nacional do Azeite no ano de 1949), muitas referências do sector oleícola destes tempos.

Este autor, extremamente emblemático, informa-nos também, que por meio dos forais dos concelhos, constatou o lugar onde se praticava a cobrança de "portagem" do azeite.
Estes forais, vão desde o século XII (1166) até XIII (1277) e quero realçar, que no meu concelho de Abrantes, aparece esta referência, deste tipo de pagamento no ano de 1179.
Segundo a ordem cronológica aparece também os seguintes concelhos de Portugal:
"Évora 1166, Lisboa 1170, Santarém 1179, Lisboa 1179, Abrantes 1179, Coruche 1182, Palmela 1185, Covilhã 1186, Almada 1190, Torres Novas 1190, Povos 1195, Leiria 1195, Penamacor 1209, Alcobaça 1210, Alenquer 1212,Vila Franca de Xira 1212, Montemor-o-Velho 1212, Castelo Branco 1213, Avis 1218, Alcácer 1218, Vila Nova (Sobreira Formosa) 1222, Avis 1223, Lordosa 1225, Sortelha 1228, Canha 1235, Proença-a-Nova 1244, Aljustrel 1252, Beja 1254, Reboredo de Baixo 1255, Odmira 1255, Monforte 1257, S. Martinho 1257, S. Julião do Tojal 1258, Alcáçovas 1258, Terena 1262, Tolosa 1262, Portel 1262, Garvão 1267, Aguiar 1269, Vila Viçosa 1270, Seda 1271, Castro Marim 1277."
(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 55)

Reinado de D. Manuel...

No reinado de D. Manuel I, mais exatamente no ano de 1497, os forais tiveram uma grande reforma deixando de nos informar de informações preciosas e concretas dessas épocas, passando a existir, somente uma lista fiscal de "portagens".
No século XVI fora um século intenso outorgado novas leis e regimentos- "Ordenação Manuelinas". E o seu principal reformador foi Duarte Nunes de Leão

"Ao rever as posturas da cidade de Lisboa e os regimentos dos ofícios da mesma cidade, juntou muitos preceitos dispersos e deu forma definitiva a muitas regras disciplinadoras da vida rural e económica, devendo-se destacar, pelo interesse que tem para o presente trabalho, o Regimento dos Lagareiros dos Lagares de Azeite, -contido no Livro dos Regimentos dos Ofícios Mecânicos, compilado em 1572.

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 62)

A cultura de oliveira neste século XVI não aumentou muito e começou a evidenciar a decadência na agricultura.D. João III como medidas para travar e enfrentar esta crise por alvará datado de 5 janeiro de 1555 determinou o seguinte:

"... se não taxe aos Lavradores o pão, o vinho e o azeite, deixando-lhes a liberdade de regularem os seus géneros." 

(Memórias para a História da Agricultura em Portugal, in MLPAS, t. II, p. 33)(
Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 64)

Retomando, aos elementos escritos no ano de 1572 em detrimento dos roubos em largares de azeite reformou-se e compilou-se "O livro dos regulamentos dos oficiais mecânicos" autoria de Duarte Nunes de Leão.Para salvaguardar abusos e prejuízos acentuados proibia-se como por exemplo:

1- "...se fizesse comer, assim assado como cozido, à boca da fornalha e também fazer tibornas, a não ser os próprios donos dos azeites para si e para os oficiais do lagar."

2- "No tempo dos antigos lagares de vara era costume, por vezes, fazer-se neles o que se chamava uma "tiborna" (pão quente embebido em azeite novo), o que constituía, afinal, um pretexto para uma ceia alegre. O dono da azeitona que se mova, para provar o seu azeite, levava um ou mais pães de trigo, moles, que se embebiam bem no azeite, comendo-os depois com alguns amigos "sic" convidados e os lagareiros. Outras vezes era o pão partido em fatias delgadas e estas fritas em azeite, sendo noutra o pão torrado e depois regado fartamente com azeite. Mais modernamente era tudo isto acrescido com bacalhau cozido ou assado e hortaliça e em todas as circunstancias tudo acompanhado de vinho, nesta altura já da colheita do próprio ano." 

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 73)

Expressão plástica...

Até ao presente tenho reportado fatos históricos veiculados por meio de escrita, os quais, não estão no português corrente. Até mesmo este facto, o da evolução histórica da escrita da nossa língua/nação é muito interessante avaliar e sentir a sua evolução.Agora, descrevo nestes meus apontamentos da história portuguesa deste tema, outros registos que nos chegam até aos dias de hoje , uma outra vertente, a artística, não da palavra, mas sim da expressão plástica.

Temos como exemplo desta expressão plástica as ilustrações inseridas na obra "Civitates orbis terrarum" composta por 546 ilustrações publicada na Idade Média. Ao interpretar estas imagens desenhadas apresentam perspetivas e mapas de várias cidades do mundo.Nos anos de 1572 e 1617 Georg Braum também conhecido por Brunus ou Bruin fora o cartógrafo e geógrafo responsável por esta obra.

Georg Braum fora um Clérigo católico sendo Cónego e Diácono na Igreja de Santa María ad Gradus - Colónia. É uma obra de seis volumes e resultou como complemento ao atlas de Abranam Ortelius - "The atrum orbis terrarum (1570)"


Um vasto grupo de ilustradores liderado por Georg Braum contribuíram para esta inigualável obra artística como: Frans Hogenberg; Simon Van den Neuwel, Georg Hoefnagel; Daniel Freese; Heinrich Rantzan; Jacob Van Deuenter; Sebastian Munster; Johannes Stumpf.

Estes ilustradores transmitem pelo meio do desenho, diversos pormenores tanto dos aglomerados urbanos de Lisboa, Coimbra e Cascais, assim como, os campos circunvizinhos destas cidades.
Gravura da obra "Civitates orbis terrarum" datada do século XVI mostra a cidade de Coimbra.
A Gravura da cidade Lisboa onde se visualiza a oriente o "Monte de Santa Ana" é localizando um olival. É deste olival que Cristóvão Rodrigues de Oliveira no seu "Sumário" sobre a cidade de Lisboa 1551 que nos diz o seguinte:

"... dûa antiga Hermida de Santo Antam do hermo he chamado ho valle de Sancto Antão onde agora he o mosteiro de freiras da Anunciada, donde começa outro monte coberto dolivais encima do qual estaa a hermida de Sancta Anna..."

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 65)
Link:https://purl.pt/14435https://www.museudacidade.pt/Coleccoes/Gravura/Paginas/Panoramica-de-Lisboa.aspx

Gravura representando uma das mais antigas panorâmicas, da cidade de Lisboa no século XVI, inserida na obra de George Braunio Civitatis Orbis Terrarum.

Recipientes para transporte...

Quanto aos recipientes destinados a conter azeitona e ao fabrico e guarda do azeite nos informa o Regimento de 1572 que as medidas:
1- "...cântaro, alqueire, canada, quartilho e meio quartilho. "
2- "Nos lagares tinha de haver sempre duas meias fangas para a medição da azeitona, devendo uma delas estar "continuadam.te nas tulhas que se acarretarem para por ella se medir a azeitona..."

No mesmo regimento citado anteriormente nos informa referente aos recipientes:
1- "...havia-os para recolher a azeitona; havia-os destinados a conter a azeitona na operação da moedura; havia-os destinados ao azeite cru; havia-os destinados ao transporte do azeite."
2- "...num lagar par o fazimento dos azeites, nos seguintes termos: boas talhas sãs e seguras; boas seiras e odres; vasa bem vedada e segura, bons cestos para se acartar a azeitona, e que tudo seja "são e bem seguro, de maneira que por falecim.to das ditas cousas o povo não recebe perda em seus azeites..."."

No Regimento dos lagareiros de Lisboa do ano de 1572 referente aos recipiente nos transmite o seguinte:

"...a azeitona guardava-se em tulhas e o azeite cru em potes. Os lagares deviam possuir tulhas capazes de recolher cinquenta moeduras de azeitona.As seiras, não podiam ter, sem licença da Câmara qualquer medida que não fosse a da bitola da Cidade."

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 74)

Respetivamente ao transporte do azeite este era feito em odres ("Odre é como se chama um antigo recipiente feito de pele de animal, geralmente de cabra, usado para o transporte de líquidos. i
n: https://pt.wikipedia.org/wiki/Odre) e em pipas destinadas a maiores quantidades de azeite. 

Os Odreiros tinham que se regulamentar para a feitura dos odres, segundo o Despacho de 1551.
Os tanoeiros tinham que fazer suas pipas segundo o padrão oficial do Regimento dos Tanoeiros de Lisboa datado de 1551, os quais, tinham que ter a marca da cidade.

Centros produtores...

Quanto aos centros produtores o historiador, jurista e linguista português, de origem judaica, Duarte Nunes de Leão nasceu em Évora em 1530 e publicou diversas coletâneas de documentos, entre eles, "A genealogia sobre a Casa Real Portuguesa" e a "Descrição do Reino de Portugal" datado de 1610.

Na sua "Corografia do Reyno Portugal" Duarte Nunes de Leão nos meados do século XVI nos deixa referências e informações como era a olivicultura neste tempo. A zona produtora de azeite estava demarcada em quatro regiões: Beira; Estremadura; Alentejo; Algarve. E estes olivais agrupavam-se à volta das povoações.

"Finalmente em todos os logares de portugal e comercial do Algarve se dá azeite contra o que THEOPHRASTO screveo, que diz nam se darem oliveiras afastadas do mar quarenta milhas que sam dez legoas, do que vamos ver o contrario nas cidades de Évora, Beja, Elvas, & na Villa de Moura em que ha mais copia que em nenhum lugar do reino & nas villas de Serpa, e Estremoz, Porel (Portel?), & outras, & em outros muitos mais lugares do alentejo & de estremadura, & da Beira mettidos pello sertam muitas mais legoas afastadas do mar por hi ser o ar mais tepido, & mimoso se dam as oliveiras melhores. Porque (como dizia hum Fabiano, que Plinio allega no livro 15, Sapit. I). as oliveiras nam se dam em terras frigidíssimas, nem nas caladíssimas como vemos, que as não ha em Allemanha nem em Flandres, nem nas outras primicias chegadas ao Norte, nem na Etiopia, nem na Índia nem em outras terras tam quentes." 

(Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 84)

Na sua cronografia, faz também referência às cidades notáveis deste tempo, sendo a olivicultura, abundante e de qualidade localizando-se ao sul do rio Mondego: Coimbra, Tomar, Abrantes, Torres Novas, Santarém, Lisboa, Montemor-o-Novo, Elvas, Évora, Alvito, Estremoz, Beja e outras terras do Algarve. (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 85)

Esta historiadora também faz referência à qualidade, e pela primeira vez, verifica-se esta referência: "delgadeza" para definição dos azeites produzidos na cidade de Coimbra e também os comparavam de melhor qualidade, do que, os azeites da Península da Ístria e da região de Venafro."porque parece hua agoa stilada & que se pode beber sem offensa que soe fazer a grossura daquelle liquor" (Langhans, F.-P.; Apontamentos para a História do Azeite em Portugal; página 85)
Informa-nos também que os azeites preferidos para as cozinhas régias eram os azeites de: Évora, Alvito, Torres Novas e Montemor-o-Novo. 

Link: https://purl.pt/13347

Crise de sucessão à CEE...

Com a crise de sucessão desenrolada em 1580-1640 resultou a união Ibérica com Espanha e o Reino de Portugal perdeu muita da riqueza outrora conquistada e adquirida, bem como status. E somente no ano de 1640 foi restaurada a independência sob uma nova dinastia de Bragança.

O terramoto que abalou lisboa em 1 de novembro de 1755 destruiu quase completamente a cidade de Lisboa atingindo o litoral do Algarve e a cidade de Setúbal, tendo feito certamente segundo dados históricos mais de 10 mil mortos. Este sismo teve um grande impacto na sociedade portuguesa do século XVIII a vários níveis tanto político como socio-econômico.

Das Invasões Napoleónicas e Espanholas resultou uma instabilidade política e económica dando origem à Revolução Liberal de 1820. 
Desta revolta nasceu a primeira constituição portuguesa, ou seja, iniciou-se a monarquia constitucional que decorreu entre 1820 a 1910.Em 1986 Portugal adere à Comunidade Económica Europeia (CEE). Esta organização internacional tem como finalidade estabelecer um mercado comum europeu, pelo qual, nos regemos em muitas leis, como é o caso, do produto alimentar - o azeite.
Nesta fase, se perdeu a valiosa colónia - o Brasil - e no fim do século a perda de estatuto de Portugal na chamada "Partilha de África".
A 5 de Outubro de 1910 dá-se a revolução destituído a Monarquia Constitucional e a implementado o Regime Republicano em Portugal.

A 28 de Maio de 1926 há um golpe de estado devido ao país estar imerso em conflitos sociais, corrupção e conflitos com a igreja, dando lugar, a uma ditadura que decorreu entre 1926-1974.

No ano de 1961 inicia a Guerra Colonial "Guerra de Ultramar" até 1974, data que houve uma guerra militar - MFA (Revolução dos Cravos do 25 de Abril) que derrubou o governo.

A 1975 Portugal declarou independência a todas as suas posses em África.Após este período conturbado e revolucionário, Portugal deu início a uma democracia pluralista composto por um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente.A constituição de 1976 definiu Portugal com uma república semi-presidencialista.
No século XIX foi um marco histórico para o setor oleícola porque o azeite seria aplicado na iluminação das grandes cidades portuguesas.Este facto, gerou o aumento do consumo deste produto e, por sua vez, os olivais cresceram dando uma nova finalidade a este produto.

A primeira experimentação deste tipo de iluminação composta por lâmparinas de azeite ocorreu no ano de 1780 no Chiado lisboeta.No Porto, somente chegou em 1824, em Évora 1926, Setúbal 1834, Coimbra 1836, Guimarães 1844, Funchal 1846, Santarém, Lagos e Oeiras 1850, Sintra 1851, Castelo Branco 1860, etc.
A iluminação a gás só fora incrementada no ano de 1836 e a elétrica em 1903. (Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 23) 

No ano de 1874 e 1957, devido a iluminação publica com lamparinas de azeite a área coberta de olival aumentou 110% e a superfície cultivada total aumentou 162%.
Ribeiro, na sua obra (R. 1963: 76: 1991: 161) refere que no ano de 1960 as oliveiras ocupavam 1/10 da superfície agrícola portuguesa.
Em 1970 os olivais ocupavam uma área superior 500.000 ha, estando centrado o seu cultivo em Santarém que detinha 28,5%.Neste tempo, Portugal perante o contexto oleícola mundial, ocupava o segundo lugar detentor de 50 milhões de oliveiras como refere o autor Lino. Grécia, estava na primeira posição e na terceira posição estava à Tunísia com 35 milhões de oliveiras. (Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 23)

Em pleno ano de 1960 até 1965 desenrola-se uma crise profunda neste sector gerado pelas más condições fisiológicas das oliveiras que encandeou uma drástica produtividade do seu fruto. Por consequência, resultou no seu elevado preço dada a sua escassez e, este produto alimentar, tornava-se incapacitado de competir com os preços baixos dos óleos alimentares.
Nos anos de 1970 a 80 Portugal e os seus Agricultores procedem ao arranque dos olivais e ao abandono dos mesmos. Nesta época, a oliveira torna-se numa árvore marginalizada ficando somente enraizada em solos sem préstimo a culturas de melhor rendimento.

Após esta fase houve uma revolução no pensamento dos Agricultores portugueses devido aos subsídios oriundos da Comunidade Europeia para plantação de novos olivais.Sendo assim, no ano de 1987 foi lançado um programa da CE designado por PEDAP - Olivicultura (Programa Especifico para o Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa). Este programa, visava e visa o corte/ arranque de olivais velhos em substituição de novos plantios os de oliveiras, novos sistemas de rega, aquisição de maquinaria entre outros que contribuíram para uma modernização do setor desde dos olivais até as máquinas de extração.

Após o ano de 1987 este apoio encadeou uma vasta expansão da mancha do olival em Portugal alcançando o êxito do azeite português, reconhecido do com nível de qualidade nutricional, devidamente certificado e, por fim, o aumento da procura nacionalmente e internacionalmente. 

O lagar...

A tecnologia a nível de mecanização dos lagares sofreu uma alteração bastante acentuada em termos quantitativos e qualitativos do produto final - o azeite.

Quando a técnica usada no século XVI temos uma referência na obra da "Cronografia no Reino do Algarve" escrito pelo Frei João de São José:

"toda a azeitona se apanha à mão assim como vai caindo e isto não é muito dificultoso por ser grande e famosa; e assim é também o azeite belo e saboroso; quer-se feita em fresco ou ao menos que lhe não tardem muito, ao contrário da nossa galega de Portugal, porque, se se descuidam dela, come-a o sal e funde muito menos" 

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 26)

Guerreiro e Magalhães, 1983: 117 refere também as variedades ou castas existentes nesta época a Galega, Veredal e a Longal.

Quanto ao modo de extração do azeite Frei João de São José refere:

"não costumam os Algravios fazer seu azeite comummente em lagares de mós e varas como cá, posto que alguns há que ficaram do tempo antigo e já se vão desfazendo, salvo quando a novidade é tanta que a necessidade os contranja; e não sei se a pouca confiança dos lagareiros, a que eles em toda a parte dão ocasião, se o mau aviamento, que no fazer do azeite muitas vezes há, deu motivo a se inventar um motivo fácil e proveitoso de que todos estão tão satisfeitos, que, se não é em alg~ua grande safra, não há homem que sua azeitona queira dar a lagares de vara". "um ou dous lagares de pau, feitos de duas ou três tábuas grossas, pesadas, muito juntas sobre ~uas travessas com suas bordaduras ou torno, as quais assim juntas fazem cinco, seis palmos em largo e oito, nove em comprido, à madeira de tabuleiro, e a isto chamam eles lagar. Tem ~ua bica no meio duma das cabeceiras e assentam-no sobre dous barquinhas para isto feitos, quando se querem servir dele; e, acabado o seu ofício, encostam-no a ~ua parede té que o tornam a haver mister. É tão fácil e maneiro este engenho que o carregam sobre qualquer besta e o levam de um cabo pêra o outro com pouco trabalho e serve de lagar de azeite e também de vinho, com o alimparem primeiro"

(Guerreiro Magalhães, 1983: 115-116)

Também temos exemplos de descrições de lagares caseiros como nos informa Bastos, 1993:114:

"Depois de previamente prensadas num moinho manual ou marteladas à mão, as azeitonas são postas numa taleiga, e, numa queijeira, submetidas à pressão manual ajudada por jarros de água a ferver; dali escorre para um alguidar e graças às suas propriedades físicas o azeite separa-se da água. Uma fervura de panela acaba de os separar, e está pronto a ser provado nas tibornas, as torradas embebidas no azeite acabado de fazer" 

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 27)

No século XVIII predominava um arcaísmo de equipamentos técnicos para a elaboração/extração do azeite o que impediu o aumentarem a oferta para mercados industrializados do norte da Europa. Tanto o sul de Portugal como na Córsega não havia investimento em equipamentos modernizados.
Mazzotti (2004:281) refere que era as regiões da Riviera Francesa e Italiana "cuja natureza burguesa" das relações de produção é que detinham uma autonomia superior (dos olivais e proprietários dos lagares) gerando um azeite de qualidade superior.Na segunda metade de 700 o Sul da Europa foi alvo de estudos sobre a olivicultura abordando por exemplo as doenças de oliveira, a produção do azeite e os fatores que geravam o aumento da qualidade do azeite.

Em Portugal, este estudo foi colocado na prática na cidade de Coimbra no ano de 1784 pelo Italiano João António Dalla Bella no estudo designado por:

"Memórias e observações sobre o modo de aperfeiçoar a manufactura do azeite de oliveira em Portugal". 


A primeira avaliação foi o modo de varejar:

"armados de paus" principiaõ sem regra nem descrição, e sem misericórdia a varejar aquela benéfica com tanta força, que lançaõ as azeitonas mais pegadas, Como se atirassem com uma pedra na funda: fazem cahir todos os ramos mais tenros, quebraõ e lascaõ os ramos mais grossos e velhos, e deixaõ miserável oliveira quasi despojada de folhas, cheia de mataduras, golpes e feridas "

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 28)

A segunda avaliação foi sobre a seleção da azeitona:

"As mulheres e moças entretanto cantando recolhem à maõ todas as azeitonas que achaõ sobre o terreno, tirando-as dos raminhos cahidos, e à maõ cheia deitar dentro dos cestos, misturando junto sem reflexa as maduras, as verdes, as secas, as podres, as piadas, as imundas, e as de toda a bôa e má qualidade"

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 28)

Por fim, a terceira avaliação refere-se ao transporte:

"outra exigência para garantir a boa qualidade do azeite e evitar a alta acidez, era o rápido transporte da azeitona para o lagar"

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 28)


Estes estudos, foram implementados em Portugal e permaneceu até 1840. Foi o início para o contributo do melhoramento do azeite português sendo este um produto extremamente exigente.

Nesta fase, se gerou um debate devido ao modo da apanha da azeitona, o entulhamento, o labor lagareiro e sobretudo a falta de higiene nos lagares desses tempos.

No século XIX surgiu a primeira grande inovação tecnológica destinada à extração do azeite com a introdução dos cilindros cónicos na moagem e da prensa hidráulica.

Custodio, afirma que a prensa hidráulica foi a revolução (1998: 24) dos lagares de tradição romana - compostos por uma coluna de parafuso e de uma alavanca tradicional.

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo (1810-1877) o nosso famoso poeta, escritor, historiador, jornalista, da era do romantismo, também era dado à vertente oleícola. 

O seu espírito visionário e inovador fez com que no ano de 1859 introduzisse no seu lagar, (localizado na Quinta do Vale de Lobos situada em Azóia de Baixo, Santarém-Ribatejo-Portugal) tecnologia italiana. França e Itália, fora neste tempo, os dois países onde tecnologia era a mais avançada para esta indústria. Alexandre Herculano apresentou deste modo o primeiro azeite de marca premiado em várias exposições internacionais.

Em 1851 na história do Grupo Jerónimo Martins nos informa sobre este azeite o seguinte:

"Um novo produto viria enriquecer as prateleiras da loja: azeite produzido em Vale de Lobos pelo escritor, historiador e político Alexandre Herculano.No contrato firmado pela sua letra miúda e segura, Herculano defende o seu "azeite fino", asseverando que "quaisquer amostras que tragam o meu nome, quer só, quer associado com outro, são completamente falsas". Durante o século XIX, a loja foi ganhando cada vez mais prestígio.Venda de produtos importados na loja do ChiadoA loja do Chiado disponibiliza já uma grande variedade de produtos: num anúncio do Jornal do Comércio convida-se à compra de "verdadeiros queijos de Gruyère, londrino e parmesão, barrilinhos de superiores azeitonas de Marselha, salames de Lyão e d'Itália, latas com sardinhas de Nantes, anchovas de Marselha, passas de Málaga, vinho de Champagne, genebra da Holanda, cognac de França... e tudo o mais que se possa imaginar"." 

in: https://www.jeronimomartins.pt/o-grupo/historia.aspx

A aposta inovadora e modernizada deste lagar aliado a um azeite de qualidade fez com que outros agricultores seguissem os seus ideais, apostando assim, na modernização dos seus lagares.Temos como exemplo o lagar da Quinta da Cardiga que na altura pertencia ao lavrador Almeida Lima, o lagar da Quinta dos Inglesinhos em Cascais e a fábrica do Visconde da Junqueira em Almeirim. Estes dados são informados por Jorge Custódio na sua obra - "O lagar e o azeite Herculano" editado pelo Município de Santarém.

Capa do livro, imagem da web

Este autor, também faz referência à primeira fábrica de azeite pertencente a Carlos Pecquet Ferreira dos Anjos (1891-1908) que data de meados de 1893 que se inseria na Quinta de Monte Alegre localizada nos arredores de Lisboa. A revista "O ocidente" - Revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro (fora uma revista editada desde 1878 a 1909 composta por uma qualidade gráfica e literária) na sua edição datada de 20 Novembro 1908 faz uma referência sobre esta quinta e da sua produção de azeite:
"Os maiores e mais aperfeiçoados lagares, como talvez hão há outros em Portugal"
Pecquet recruta da Itália operários especializados para a produção do seu azeite.


 Foto da Web referente ao Barão Forrester

Um facto interessante referente-se à inovação ou melhoramento do lagar deste tempo pelo Barão Joseph James Forrester que nasceu em 1809 a 27 de Maio em Kingston mas chegou ao Porto em 1831 e um convite de seu tio. O tio era sócio da firma Campion, Offley, Hesketh & Cº firma exportadora de vinhos para onde o Barão foi integrado.
Nesta altura visitava as várias quintas do Douro e desenvolveu varias pinturas e a começou a cartografar essa região demarcada.
Também produziu obras de carácter ensaístico e participou na grande exposição de Paris onde apresentou o seu trabalho incluindo a invenção de uma prensa para azeitona que acabaria por não ser registada a sua patente e fora plagiada e comercializada.

 Foto da Web referente ao mecanismo de lagar

"Já a empenhada participação do Barão de Forrester emexposições internacionais e nacionais granjeou rasgadoselogios dos jornais e revistas portugueses. Se, por ocasiãoda Great Exhibition de 1851, teve "o desgosto de ver que osseus produtos [amostras de vinhos, vinagres e azeites, feitossob sua direcção], com quanto chegassem a Lisboa aomesmo tempo que objectos similhantes de outros expositores,não tinham sido enviados para Londres"45, sem que lhefossem explicados os motivos para tal, já em 1855 participouna Exposição Universal de Paris "com mais de quatrocentosartigos, todos de producção portugueza, sobresaindo entreelles varias obras sobre Portugal, e especialmente sobre o rioDouro e paizes circumvisinhos; vinhos, azeites e vinagres;modelos de lagares de vinho e prensas de azeite com algunsmelhoramentos introduzidos por elle, conjunctamente comseus filhos; uma variada collecção agricola das producções doDouro, necessarias para o alimento e conforto do homem ede animaes; e finalmente differentes outros objectos caracteristicosdo uso e da feição original dos povos d'este paiz"46,ainda que, para sua indignação, as autoridades portuguesaso tenham de novo tratado com desconsideração e parte dosobjectos que enviou para a capital francesa não tenha chegadoa ser exposta. Conquistou então uma medalha de prata ecinco menções honrosas, prémios que se juntaram aos alcan-çados nas duas exposições agrícolas do Porto, em que foi umdos principais expositores4." in Fundação Robison

Links:
https://www.academia.edu/4975032/Joseph_James_Forrester_uma_hist%C3%B3ria_do_Douro

https://www.ics.ul.pt/rdonweb-docs/Concei%C3%A7%C3%A3o%20Andrade%20Martins%20-%20Publica%C3%A7%C3%B5es%202008%20n%C2%BA1.PDF

https://www.fundacaorobinson.pt/multimedia/ficheiros/publicacoes/004_PFR.pdf

Outra fábrica de referência em Portugal pertencia a Companhia União Fabril - CUF. A CUF, foi fundada em 1865 e nesta data lhe foi atribuído o licenciamento para a produção de sabões, estearina e óleos vegetais.

Postal da Vista Aérea das Fábricas da CUF no Barreiro nos anos 30, foto da web.
Em Alferrarede, concelho de Abrantes, foi criada uma fábrica de produção de azeite e no ano de 1896 empregava 275 operários e usava maquinaria a vapor com 60 cavalos.

Bilha de azeite da CUF, foto da web

Lata de azeite da marca "Porto" imagem da web

Imagem da web: Publicação da CUF sobre a Oliveira - 1935

O inquérito industrial do ano de 1917 faz referência quem existia neste ano de 118 fábricas de azeite em Portugal onde trabalhavam cerca da 672 operários.

Sebastião Francisco de Mendo Trigoso nas suas anotações: "Memória sobre a cultura das oliveiras em Portugal" de João António Dalla Bella (segunda edição, Lisboa,Typ. da Academia Real de Ciências, 1818 (custodio, 1998, 25)) informa que havia ainda um atraso no setor. Deve-se que o equipamento composto pelas máquinas a vapor e prensa hidráulica, em detrimento das de varas, só estava alcance das grandes casas agrícolas ou dos grandes produtores, assim como, os extensos olivais.Em 1926 e em paralelo com a crise mundial de 1929 o azeite também passou por uma grande crise que originou a prática de preços baixos. O óleo de amendoim foi reconhecido em 1929 como "óleo alimentar" situação contestada pelos produtores de azeite.

A Cuf era quem controlava Casa Gouveia na Guiné e transformava na fábrica do Barreiro o palma, o mendobi, o amendoim e gergelim importado da Guiné e colocavam este produto alimentar, de menor qualidade, a um baixo preço. É nesta altura que surge a mistura do óleo de amendoim com o azeite.
O setor das oleaginosas estava neste tempo dividido entre os produtores de azeite e os grandes interesses da refinação de óleos.

Em 1930 os produtores de azeite reclamavam um regime protecionista para o Azeite Nacional, esta ação foi liderada por dois latifundiários que, por sua vez, eram deputados: Almeida Garrett e Franco Frazão. Levaram à tribuna da Assembleia Nacional esta situação e exigiram:

"o condicionamento da importação do azeite, a proibição da mistura do óleo de amendoim com o azeite, a limitação da produção de óleo (monopólio CUF), e a classificação do azeite como único óleo alimentar; em suma, pretendiam que o mercado interno fosse reservado ao azeite nacional (Rosas, 1986: 174; Amaral, 199: 154-155)"

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 38/9)

(Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 38/9)
O resultado foi obtido em 1929 definindo-se no plano legal "Azeite Puro" e no ano de 1931 foi decretado o Decreto-lei número 20. 041 onde foi promulgado e criado a "Marca Nacional do Azeite" para fins de exportação.


Hoje esta marca "Marca Nacional do Azeite" foi "entregue" à Casa do Azeite e os associados que aplicarem esta marca tem que cumprir com as normas emitidas por este organismo.

Retomando a "Junta Nacional do Azeite" foi criada a 1 de Novembro de 1937 com o decreto-lei n.º 28.153 que iria regularizar o setor oleícola.

" -fiscalizar a produção e comércio do azeite e dos óleos; -coordenar a acção dos organismos corporativos da produção e comércio de azeites e, bem assim, a das actividades que se dedicam à produção e comércio dos óleos, com o fim de assegurar a defesa da olivicultura e da riqueza oleícola nacional; -exercer a acção reguladora de preços, pelos meios postos à sua disposição e pela disciplina corporativa, de modo a assegurar, na medida do possível, a justa valorização do produto na origem, evitando oscilações injustificadas ou prejudiciais à economia nacional" 

(Baptista, 1993: 245-246) Paqute, MANUEL; O Azeite na Cultura e no Património Alimentar; página 38/9)

Dado ao igual valor dos óleos e azeites nesta data teve uma consequência a nível institucional com a junção de dois organismos: a Junta Nacional do Azeite e a Comissão Reguladora de Oleaginosas e Óleos Vegetais criando assim em 1973 O Instituto do Azeite e Produtos Oleaginosos
No ano de 1965-1972 segundo os dados do INE - Estatísticas Agrícolas e Alimentares em paralelo com a Junta Nacional do Azeite verificou-se um "número exagerado de lagares para as necessidades portuguesas".No final deste tempo o autor Lino (1976: 88-89) deparou-se com menos de 921 lagares em Portugal devido ao abandono dos lagares de varas ou de parafuso devido ao facto destes não cumprirem com as normas emitidas pela Comunidade Europeia. 

Hoje os lagares em Portugal estão equipados com tecnologia de topo e estão em funcionamento em conformidade com as Normas Comunitárias, resultando deste modo, azeites de qualidade nacional superiores.... O lagar do presente, será alvo de uma refelção minha que posteriormente irei partilhar na WWW.
Muito haveria para descrever sobre este tema da história do azeite em Portugal pois tem uma vasta história que se perpetuou ao logo de séculos...

".§ ⓒ [Eng.ª C.T.A.G. e D.er] Ana Monteiro, junho de 2015 Céd. Prof. N.º 442